No universo tudo é movimento. Não existe fim, apenas transformações. Porém, toda transformação carrega dentro de si a simbologia da morte e do renascimento, onde todo final de um processo é a permissão para o início de outro que, por sua vez, também findará e gerará um novo, e assim por diante. Essa percepção da finitude e transitoriedade pode ser fonte de dor e insegurança para alguns ou a conquista da liberdade para outros.
Geralmente esquecemos que esse movimento fim/início acontece em todas as escalas o tempo todo: nas atividades intracelulares, na sucessão dos pensamentos, no processo da respiração, nas situações cotidianas, nos relacionamentos, na extinção de um planeta, e não apenas na morte física, o “fim” mais temido. Simplesmente em tudo. Mas como nossa educação está voltada para a conquista e resultados – acúmulo, acúmulo e mais acúmulo – fica difícil assimilar as perdas ou transformações não esperadas como algo natural e pertinente ao processo da vida.
Ao mesmo tempo, a idéia de “meu” e “seu” é ilusória, pois nada é de ninguém. Tirando a consciência individual (cuja identificação pode, inclusive, ser dissolvida na iluminação), tudo é de todos, estão aí no universo, onde a posse ou relação com algo em particular é fruto da situação imediata: é o foco em que a atenção ou necessidade dirige as ações, energias e pensamentos, criando o ambiente físico, mental e emocional com a qual a mente se identifica e que se costuma associar à idéia de “eu”, mas que ainda não é a verdade integral e divina que cada um carrega dentro de si.
Se agarrar a situações e questões que já não fazem mais sentido para o Ser é estancar o fluxo da existência em toda sua potência e beleza; é posicionar-se na contramão da vida de forma solitária e dolorosa impedindo todo aprendizado e evolução aos quais estamos destinados como alma e seres criativos. Negar a natureza e afastar-se de Deus, a perfeição que permeia o universo independente das vontades e carências pessoais.
O futuro só pode existir em função do agora, do que determinamos para nós. Se buscamos a paz e o equilíbrio devemos estar abertos para as mudanças que se fazem necessárias hoje, ouvindo o coração e a razão, o sonho e a realidade, o momentâneo e o eterno, o possível e impossível, com equanimidade e muito, muito amor. Abandone o que está morto e renasça para o presente - onde você está e o que você é –, o ponto de partida para todas as transformações. Não tema as mudanças ou adie decisões importantes. A felicidade não está para chegar, ela já está, só não percebemos... Adapte seu olhar, ajuste seu coração, relaxe a mente e confie, confie em você e na vida. Permita que o novo entre e o velho se desfaça naturalmente, sem dores, traumas ou cobranças. Seja seu paraíso na vida ou na morte. Seja eterno em cada instante!

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